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27.5.11

Ele simplesmente não está a fim de vc, Carolina.

Acorda.

Mas que coisa, cara. Que dificuldade.

Deixa passar. Para de ficar pensando. Anda. Um, dois, tres já.

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Ok. Eu continuo esperando que o sopro divino se abata sobre a cabecinha do fulano.


2.12.10

- Quero muito ir pra Turquia! Meu sonho de consumo!
- Pra que? Pra comer com a mão? Meio anti-higiênico isso...
- Não. Pra andar de balão na Capadócia.

¬¬

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Tem gente que passa batido pela vida e nem se dá conta, né?

26.10.10

travessia

dia 4 de agosto descobrimos um câncer no intestino do meu irmão.

eu poderia contar as minúcias de tudo: do medo, do pavor, do desespero, da dor, do medo, do medo, do medo. de todos os sustos que levei quando o telefone tocava, de quão incompreendida eu fui. poderia contar todos os detalhes de sadismo da unimed que atrapalhou onde pode atrapalhar.

prefiro falar de quão compreendida eu fui, de todo carinho, amizade, conforto que encontrei pelo caminho: amigos, amigos, amigos, nossa família e todo suporte que eles puderam nos dar fosse ele emocional, físico, material.

engraçado, as pessoas dizem "puxa, que barra". nunca pensei assim. nunca encarei tudo que nos ocorreu como uma "barra pesada". nunca coloquei mais peso no que é pesado por si. simplesmente atravessamos. foram duas cirurgias, algumas complicações e a prova de que deus existe e ele nos carrega no colo em momentos assim.

o que eu posso dizer hoje, dia 26 de outubro, após 53 dias internada junto com meu irmão é que não sou mais a ana carolina duarte que entrava na Venerável Ordem Terceira da Penitência quando ele se internou. não somos mais a mesma família. nós amigos não são os mesmos. tudo mudou pra melhor. muito melhor.

assim que tivemos o diagnostico dele,pesquisei algumas coisas do que poderia significar um câncer espiritualmente falando e sempre lia que era um presente de deus. não entendia. agora entendo. e agradeço a deus pela possibilidade de transformação tão radical.

sou (somos) eternamente gratos a todos que cruzaram nosso caminho no percurso. aos nossos amigos de anos, de outras vidas, vá saber. aos médicos que salvaram a vida do meu irmão, tão competentes, tão presentes, sempre tão disponíveis às nossas pirações de família. aos enfermeiros que estiveram junto 24h nos levando cuidado, carinho e risadas. às irmãs (era um hospital católico) que sempre, sempre, sempre nos levaram paz.


no mais é isso: bola pra fente que atrás vem gente.

:)


8.9.10

isso posto

pra gostar de mim, tem que gostar direito.

28.8.10

eu, de novo.

Aí tem uns neguinhos que me acham complicada.

Cara, eu acho que sou a pessoa mais simples que eu conheço. Por que? Simples: eu ajo de acordo com que eu sinto. Se eu curto, faço joinha. Se não curto, franzo o cenho. Se me incomodo, eu digo. Se amo, digo.

Isso posto, não sou uma pessoa agradável. E é pra ser sempre agradavel? No meu mundo, não. Prefiro ser honesta. Não dá pra ser sempre feliz, sempre amável, sempre resmungona. Cada coisa no seu tempo. Cada pessoa com aquilo que merece.

E, no mais, TOMA TOTOMA.







22.6.10

A MOÇA QUE CHORAVA NO METRÔ

Uma das grandes vantagens das mulheres sobre nós é a coragem, o destemor, de chorar em público. Se o choro vem, as mulheres não congelam as lágrimas, como os moços,pobres moços... Não guardam as lágrimas para depois, como sempre adiamos, não levam as lágrimas para chorar escondidos em casa.
Pior ainda é o homem que não chora nunca. Além de fazer mal ao coração, esse tipo não merece muita confiança. As mulheres não, falo da maioria das moças, desabam em qualquer canto e hora. Se estão mal de amor, choram na firma, no escritório mesmo, na fábrica, choram no trânsito, choram no metrô, simplesmente choram.
Como invejo as lágrimas sinceras das fêmeas.
Quantas vezes a gente não se preserva, por fraqueza, enquanto as lágrimas, em cachoeira, batem forte no peito machista e viram apenas pedras do gelo do uísque.
Como invejo as mulheres que misturam sim o trabalho com o drama heavy metal da existência. Desconfio da frieza profissional, das icebergs de tailleur, que imitam os piores homens e guardam tudo para molhar o travesseiro solitário numa noite de inverno.
Ora, as mulheres podem ser infinitamente poderosas, administrarem plataformas de petróleo nos mares... e chorarem um atlântico diante de uma alma perra, de uma alma cachorra, de alma vira-lata e sem cuidados, essa é a grandeza.
Lindas e comoventes as mulheres que choram em público, nas ruas, nos bares, nos restaurantes, nos busões, nas malocas, no táxi. São antes de tudo umas fortes. Tristes dos que estranham ou ficam envergonhados com o mais verdadeiro dos choros. O medinho do macho diante do pênalti que vale uma vaga no torneio da dignidade.
Triste dos que acham que não levam a sério, que tratam como sintomas da TPM e chiliques do gênero, que fracasso. Ora, até mesmo os choros de varejo, não importam as causas, são comoventes. Chorar engrandece. Fazer amor depois de lágrimas, então, é sentir o sal da vida sobre os olhos, romanticamente, sem medo de ser ridículo, brega, cafona, São Waldick nos proteja, amém.
Coitados dos que escondem suas lágrimas
Acabei de testemunhar uma dessas lindas e corajosas moças, chorava no metrô da avenida Paulista, aqui entre a Consolação e o Paraíso, as estações que nos separam.
Por que chorava aquela moça?
Sempre acho que todo choro é ou deveria ser por amor, que me perdoem a pobre rima antiga com a dor.
Uma grande dívida nunca nos põe a chorar de verdade. Por um familiar, choramos diferente. Desemprego? Não. Se não teríamos um Tietê, um Capibaribe, um Paraíba, um São Francisco a cada segunda-feira, cada esquina, lágrimas que manchariam a tinta dos classificados e seus quadradinhos lógicos, portas na cara, quem sabe da próxima, projeto ilusões perdidas...
A moça não escondia os soluços do choro. Terá discutido a relação, a velha D.R., à boca da estação Paraíso? Veste roupa de trabalho sério, e chora. Daqui a pouco estará sentada na sua cadeira de secretária, exímia, bilíngüe, a serviço da grana “que ergue e destrói coisas belas”.
Teria levado um pé-na-bunda, um fora? Teria visto o casamento pelo binóculo do sr. Nelson Rodrigues? Perdoa-me por me traíres?
A moça que chorava no metrô sabia que o amor é como as estações da avenida Paulista, começa no Paraíso e termina na Consolação.



Xico Sá.

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Levando-se em consideração os dois ultimos posts, quem lê assim, meio de tangente, pode achar que eu ando chorando copiosamente. Nem tô. Ando bem alegrinha da silva.
A musica do Djavan é linda (com a Gal toda gata cantando parece um hino) e esse texto é quase uma ode a esta que vos escreve que não tem o mínimo pudor em chorar em tudo quanto é lugar. Desde sala de embarque atéééééééé... tanque de roupa.

ai, ai. tão piegas ela, né? :D

18.5.10

tratado sobre o amor, 73487465³²¹ parte

desamar é tão bom quanto amar.


(eu no twitter, na semana passada)

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O amor chega vestido de branco. De gargalhada, de leveza, de alegria, de pulsação, de ansiedade. Vem cheio de vontade. Vem cantarolando Elephant Gun. Arrepio, saliva, novidade e alegria que não cabe nas horas.

e lá pelo meio da historia, sabe-se lá porque - talvez por falta de habilidade ou por descuido - ele se veste de roupas mais pesadas, aqueles casacões que a gente pensar em comprar quando pensa em ir passar férias de final de ano na europa. (ah, nem vem, você também já namorou essas vitrines com aqueles casacos, luvas, gorros que nunca vamos usar no Rio de Janeiro). ciúme, cotidiano, mesmice, ironias, falta de paciência. tudo empilhado no coração, a alma perdida lá embaixo. E a alma é que nem plantinha, só fica numa boa quando tem luz pra crescer. o amor vai se transformando no sua meia-irmã infeliz que nem gosta dos dias de maio, a posse. E posse é o inferno. É o inverno. E ela é tão sufocante, tão covarde. ela aprisiona, mata, faz picadinho do pobre do amor.

E aí, quando a gente finalmente consegue desapegar, o amor vai embora junto, agonizante. E a gente respira leve mais uma vez.

Isso, evidente, não acontece sempre. às vezes a gente areja a vida, não deixa que mofemos no tempo. às vezes,m a gente consegue se reinventar, reinventar o amor todo santo dia.

tratado sobre o amor, 73487465³²° parte

o amor é filme. eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama.

(via @barbaaa)

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menta e pipoca = alegria.
É. Só poderia ser amor mesmo!

17.5.10

"É necessário ter o caos cá dentro para gerar uma estrela." Friedrich Nietzsche
(via @RaphaelDrummond)

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Hm, indo nessa linha de raciocínio, eu abrigo uma galáxia inteira.
eu tento me distrair de mim mesma.

nunca consigo.

(aliás, consigo apenas quando eu me distraio e não tento)

16.10.09

para eu nunca mais esquecer quem já fui

SEM FANTASIA:

Oi.

meu nome é ana carolina. tenho 29 anos, mas envelheci mesmo aos 8, depois que meu pai morreu. tolice do cacete. não, nem tanta tolice assim. É que a porrada foi tão grande que não tive outra alternativa. aos 8 anos eu era mais velha do que sou agora e, pra mim, naquele momento, a vida se tornou um troço muito, muito sério. demorou uns anos pra eu perceber que não precisava ficar com a cara trancada pra ser gente grande (às vezes a gente faz estas confusões, né?). acho que foi no carnaval de olinda que descobri isso. eu estava bonita naquela época... 21 anos. lá rocei de leve na felicidade e, junto com ela, veio o sorriso, a liberdade da juventude.

hoje eu sou uma bobona que chora com pieguice e que gosta de música ruim. ah, como eu queria que a minha vida fosse mais colorida com pieguices. gosto de músicas que me tocam, seja uma velhona do nirvana que descobri anteontem (love buzz, ótima!), rain, da madonna, essa do wilco que tá tocando agora, aquelas da amy, principalmente as que falam de bebedeiras.tem uma em que ela fala que chorou por ele no chão da cozinha. eu já chorei no chão do corredor; no tanque lavando roupa; na frente do computador abraçada ao joelho; alto, trancada no meu quarto pra ouvirem; com o chuveiro ligado pra ninguém ouvir; agarrada com o travesseiro do meu pai, sentindo o cheiro dele ainda lá pra matar a saudade. já chorei no ônibus voltando pra casa, já chorei em avião e em ônibus interestadual. ultimamente, choro escrevendo. É bom acessar a dor assim, fazendo alguma coisa dela. alguma coisa bela.

tenho saudade daquilo que ainda não vivi. tenho saudade do que eu fantasiei mas que a realidade, essa impiedosa, me tirou. tenho saudade do que ficou no passado. tenho saudade do futuro.

tenho problemas com desapego. não gosto de pessoas saindo da minha vida. mas aprendi, na marra, que algumas pessoas saem da nossa vida e pronto. outras hão de entrar. amém.

tenho dificuldade de falar sobre a minha mãe. É tanta admiração que fica difícil colocar em palavra. gosto quando ela gargalha, gosto quando conversamos. gosto quando vejo que ela é querida por um monte de gente. tão bonita, tão corajosa, tão íntegra, tão alegre.

meu irmão se mudou e sei hoje que, sem ele aqui, sou muito mais só. sinto saudade.

leio menos que gostaria. li pouquissimos clássicos, mas baixei a obra completa de dostoievski. não li. já li paulo coelho, sidney sheldon e lya luft. achei memórias póstumas de brás cubas um saco. não entendo bem a do jorge amado. gosto de joão ubaldo ribeiro. gosto do filho dele também. rá. leio lacan. não entendo. leio de novo. amo ler freud. amo gabriel garcia márquez. chorei copiosamente com a menina que roubava livros. amo caetano. não muito o chico. não tive paciência pra pontuação do saramago. amo maria bethânia. amo vinicius de moraes e mário quintana. amo woody allen. não gostei de vicky cristina barcelona. não conheço nada de cineastas renomados. amo a arte que é acessível. não gosto de punhetas intelectualóides. não gosto de quem caga regra sem saber.

dos homens, o que me atrai é a voz, a mão e o modo como alguns honram o que carregam entre as pernas. homem tem que ser homem. ponto.

eu quero ser dj. quero ser escritora. acho que não tenho talento pra nenhum dos dois. dane-se eu.

queria que a vida fosse mais palatável. ou que eu fosse mais alienada. não, mentira. queria, não.

quero muito, quero sempre. gosto de palavras que remetem ao absoluto: tudo, sempre, muito. gosto de pronomes possessivos: meu, tua, nosso.

abraço quando amo. gargalho quando estou alegre. brigo quando tenho raiva. me encolho e calo quando fico triste. tiro meu time de campo quando saco que não rola. não sou polida. e, às vezes, acho que sou mais transparente do que deveria ser.

basicamente, é isso.